Thursday, September 26, 2013

Quem és?

"Mas quero encontrar a ilha desconhecida, quero saber quem sou eu quando nela estiver, Não o sabes, Se não sais de ti, não chegas a saber quem és." (José Saramago, O Conto Da Ilha Desconecida, 57)

"Quero saber quem sou eu."
Depois de ler esse conto, descobri que o tema do conto não era encontrar uma ilha, mas era encontrar si mesmo. Essa citação estabelece o relacionamento entre os dois. O protagonista (o homem) admite que ele quer saber quem é. Ele acha que vai saber quando encontrar a ilha.

O ponto profundo dessa citação vem do comentário da mulher da limpeza. Ela comenta que nunca saberá quem ele é se ele não sai. Na verdade, não importa se ele está procurando a ilha ou saber quem é, a lição é a mesma. Precisa sair para descobrir.

Isso me lembra de um discurso dado por Élder Richard G. Scott. Ele falou, "Para alcançar uma meta que nunca atingiu antes, você precisa fazer coisas que nunca fez antes." Eu acho que é o mesmo princípio. Se não sabemos quem somos, se queremos nos descobrir, precisamos fazer algo para saber! Se fazendo as mesmas coisas mostram quem somos, já saberíamos. Então, tem que mudar, e tem que sair. A mulher da limpeza falou a verdade.

Thursday, September 19, 2013

O Melhor Drama

"Um bom negócio e uma grave lição: provaste-me ainda uma vez que o melhor drama está no espectador e não no palco." (Machado de Assis, A Chinela Turca, 8)

Concordo com o personagem desse conto, o Duarte. O melhor drama é o que acontece dentro do espectador e não o que está escrito, desenhado, e nem realizado. É por isso que existe literatura. A literatura faz com que o leitor comece numa viagem em sua própia mente. Os detalhes se tornam vivos na cabeça do leitor. Na minha opinião, obras que não provocam essa experiência não são realmente literatura.

Sempre gostava livros mais do que filmes. Eu acho que é por essa mesma "lição" que o Duarte descobriu. É mais fácil de perder-se num livro do que um filme. Quando assisto filmes, eu só estou observando. Mas quando leio um romance, os detalhes e personagens me envolvem. Eu quase me ponho na cena da história. Filmes não têm esse mesmo efeito. Talvez é porque não posso me relacionar com os pensamentos dos personagens. Filmes não conseguem ter os detalhes que obras escritas utilizem. Também, é difícil em filmes entrar a cabeça dos personagens. Não é possível explicar tudo que um personagem está pensando. Mas em um livro, é possível.  Não quero dizer que não temos experiências nas quais nos colocamos dentro da história, mas quero dizer que é mais fácil, poderoso, e comum ter essas experiências quando lemos um livro.

Eu acho que nós, como espectadores, podemos nos envolver melhor. Se conseguirmos nos colocar dentro da história, aprenderemos e gostaremos muito mais. Coisas chatas gostaremos. Histórias entediadas se tornarão mais interessantes. Também, estimaremos melhor a literatura. No caso do Duarte, uma história que o fez dormir se tornou a uma noite inesquecível. Assim pode ser conosco. Não percamos histórias fantásticas só por falta de envolvimento!

Thursday, September 12, 2013

Ações > Intenções

"Camilo quis sinceramente fugir, mas já não pôde. Rita, como uma serpente, foi-se acercando dele, envolveu-o todo, fez-lhe estalar os ossos num espasmo, e pingou-lhe o veneno na boca. Ele ficou atordoado e subjugado. Vexame, sustos, remorsos, desejos, tudo sentiu de misturaç mas a batalha foi curta e a vitória delirante. Adeus, escrúpulos!" (Machado de Assis, A Cartomante, 2)

Durante esse conto, Machado de Assis descreve o Camilo como ingênuou. O desenvolvimento do conto apóia essa descrição. Camilo não quer nada, e também não se importa com nada. É um homem tentando viver sem responsabilidade. Confia numa cartomante. O conto mostra que essa vida indiferente não se livra das consequências.

Outrossim, Camilo tinha boas intenções quando a Rita estava tentando o seduzir. Ele "quis sinceramente fugir." Ele sabia que estava fazendo errado e traindo seu melhor amigo. Entretanto, as intenções do Camilo não se importam tanto quanto as ações dele. Em realidade, Camilo traiu Vilela, mesmo querendo fugir da Rita. Ele está menos culpado por causa das intenções? No final, foi morto, querendo ou não se involver com a Rita. As consequências foram as mesmas.

Eu acho que isso demonstra que as intenções não significam nada se não se traduzem em ações. Em alguns casos, ações podem ser justificados se as intenções foram boas, mas isso é dependente em que as idéias influenciaram a ação! Se não, por que adianta uma intenção?

Temos que tomar responsabilidade por nossas ações. Camilo não tinha nenhuma opinião. Não queria nada. Não se importava com nada. Talvez tinha boas intenções, mas não agiu conforme elas. E sofreu as consequências. Morreu.

Thursday, September 5, 2013

Desconfiar contra disconcordar

“Sometimes conventional wisdom is right—it is a good idea to look both way before you cross the street…From a theoretical point of view, however, the point is never that everything is “bad,” that the fascist “Man” is keeping you down with his stifling normality. Rather, the point of theory might be better stated as “everything is suspicious.” (Jeffrey Nealon and Susan Searls Giroux, The Theory Toolbox, 6)

Tenho muitos amigos que se acham intelectuais. Como tal, esses amigos desconcordam com quase tudo que digo, só pela causa de parecer sábio e analítico. Na verdade, eu concordo que duvidar e questionar são coisas boas, no sentido que esses modos de pensamento ajudam a perceber e mudar coisas que necessitam de mudança. Entretanto, eu acho que muitas vezes pessoas discutem questões sem razão.  Essa citação fala a verdade por mostrar que duvidar é bom, mas tem coisas que não precisam mudar.

Todos nós precisamos lembrar disso. Queremos aprender. Queremos tornar coisas melhores. Esse é um desejo muito bom. Mas, ao mesmo tempo, não precisamos mudar tudo. Não devemos mudar tudo. Precisamos reconhecer as coisas que já são boas e deixá-las sem mexer. Em fim, como estudantes de aprendizagem, devemos buscar a verdade; não devemos buscar a desconcordar. Devemos desconfiar e não desconcordar.