"A Consciência Humana é este morcego!
Por mais que a gente faça, à noite, ele entra
Imperceptivelmente em nosso quarto!"
(Augusto dos Anjos, "O Morcego," 214)
O poema "O Morcego" conclui por comparar o morcego à consciência humana. Os dois entram no quarto à noite imperceptivelmente. Isso é uma observação profunda. A consciência humana não vem de prepósito do individual. Também, vem muitas vezes à noite. É durante à noite que fico preocupado ou deprimido. Depois, acordo e tudo está bem, ou pelo menos esquecido.
O poema fala que o morcego morde a goela. Também fala que o morcego é muito feio. "Que ventre produziu tão feio parto?!" O que é interessante é comparar esses atributos com a consciência humana. Quando nossas ações não se dão bem com nossa consciência, sentimos incomodados. Nossa consciência está nos picando, como se fosse um mordido de morsego. Também, se fizemos algo muito ruim, sentiríamos muito mal. Até que a consciência poderia aparecer feio por ter-nos deixado tão ruim.
A ironia dessa conclusão é que foi nós que fizemos a consciência feia. Se vivêssemos de acordo com a nossa consciência humana, não estaria tão feia. Nossa consciência não tem que ser um morcego feio assim. Poderia ser um morcego agradável e amigável. A culpa é nossa.

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